RESUMO
O artigo lança um olhar no desenvolvimento do campo da ciência da informação e no seu relacionamento com a tecnologia. As mudanças na tecnologia da informação ocorridas nos últimos 50 anos re-organizam e ordenam as atividades associadas com a ciência da informação. O modelo tecnológico inovador é fechado e não permite dúvidas ou contestação. Nesta ambiência são consideradas, as condições presentes e futuras da área, as modificações no tempo e no espaço da informação em relação ao receptor. O papel do fluxo de informação, das estruturas de informação, do profissional da área e dos objetivos da ciência da informação são delineados a partir da crença em que a realidade se divide em três mundos : o subjetivo, o material e o do ciberespaço.
ABSTRACT
The
article launches a glance in the development of information science and in its
relationship with its technologies. The changes in the technology of
information that happened in the last 50 years organized and they gave
the order
to all the activities associated with information science. The model of
technological innovation is closed and it does not allow for doubt or questions.
In this environment the present and the future of the information science are
analyzed. The role of the flow of information, of the structures of information,
of the professional of the area and the objectives of information science are
delineated starting from the faith in that, the reality is divided in three
worlds: the subjective, the material and the one of the cyberspace.
Aldo de Albuquerque Barer
Pesquisador Titular
Presidente da ANCIB[1
(20/07/2001)
A ciência da informação teve seu aparecimento e expansão no após guerra, principalmente a partir de 1950, quando pesquisas e documentos mantidos fora do fluxo normal de informação foram liberados para o conhecimento coletivo. No limiar do período de pós-guerra fatos muito importantes aconteceram; entre 1945 ate 1948 uma bolha tecnológica nos deu: a fissão nuclear que produziu a primeira bomba atômica, foi desenvolvido o Eniac e depois o Univac-1, os primeiros computadores de aplicações gerais, Fleming descobriu com ajuda de outros cientistas a Penicilina em um segundo andar do Hospital St. Mary”s em Londres , um avião vôo mais rápido do que o som, foi inventado o transistor, foi fundada a Unesco, Norbert Wainer publicou “Cybernetics” e discursou sobre a teoria matemática da informação e Vannevar Bush publicou “As we may think”.
A grande crise da época era então, como lidar com o enorme volume de informação disponibilizada, utilizando os mecanismos e tecnologias acessíveis. Era necessário gerenciar e controlar o grande volume de informação, estocar e caracterizar seu conteúdo, priorizar o seu uso de acordo com às diferentes comunidades informacionais e promover uma divulgação seletiva e retrospectiva para evitar a duplicação do esforço de pesquisa e permitir que a sociedade conhecesse os avanços que haviam sido efetivados. A conceituação das Leis da Genética de Mendel ficou perdida para o mundo por uma geração, pois sua publicação não se tornou conhecida pelos pesquisadores que poderiam promover a sua continuação e expansão[i]. Grande parte das pesquisas, realizadas nas duas décadas subseqüentes a 1950 foram para tentar resolver estes problemas.
Contudo, de uma maneira geral a interação entre o receptor e os estoques disponíveis de informação
era sempre mediada por um profissional da informação; o tempo de retorno
da informação solicitada estava na dependência das características
internas de eficácia das unidades de informação, que hospedavam os
estoques; o fluxo da informação era uni-direcionado, o receptor tinha acesso a
um estoque de cada vez e avaliava a relevância de sua busca, neste estoque,
orientado sempre pelo mediador, em
uma condição ex-post.
A crise inicial da ciência da informação , senão resolvida, foi bastante minorada pelo Computador trinta anos após, por volta de 1980. A atual crise que se acerca da ciência da informação é mais profunda . Nestes quase 50 anos que se passaram, dede o artigo de Vannevar Bush, a área não acompanhou a mudança radical que se operou e continua resistindo aos modelos relacionados a tecnologia da informação, modificações estas advindas das transformações acontecidas na nas relações do tempo e do espaço de informação, provocadas pela microeletrônica , a telecomunicação e suas técnicas assessórias.
As mudança na tecnologia da informação ocorridas durante os últimos anos, reorganizaram todas as atividades associadas à ciência da informação. A sociedade sempre foi mais afetada pelas transformações, ou pela natureza, da tecnologia do que pelo seu conteúdo, pelo menos a curto prazo. Aqueles que convivem mais de perto com estas alterações enfrentam com maior carga às conseqüências sociais e físicas de uma enorme ansiedade tecnológica.
O profissional desta área foi precipitado em uma conjunção de transformações, muitas das quais, ele ainda nem mesmo se apercebeu .
O modelo tecnológico inovador é tão fechado que induz a um distanciamento alienante de como ele opera ou se opera no melhor sentido. Se o discurso da ciência traz uma promessa de verdade, o da técnica traz consigo uma promessa de melhoria das condições do homem, de conforto material, de felicidade. No caso das tecnologias de informação, se o seu objetivo é promover o acesso à informação da maior parte da sociedade, e se esta é uma decisão da autoridade tecnológica, esta é uma condição fechada e avaliada. Não é passível de dúvida ou contraposição sob pena de insurreição contra o avanço tecnológico, de ter uma atitude retrógrada e ultrapassada com a tecnologia.
A autoridade tecnológica julga e condena quem quer se introduzir no conhecimento do processo. Não cabe questionar ou tentar compreender como uma informação é transmitida via internet. O conhecimento interno da técnica é irrelevante e até indesejável. Se as suas conseqüências são benéficas para a sociedade, questionar é quase pouco decente.
A chegada da sociedade eletrônica de informação modificou drasticamente a delimitação de tempo e espaço da informação. A importância do instrumental da tecnologia da informação forneceu a infra-estrutura para modificações, sem retorno, das relações da informação com seus usuários.
As transformações associadas a interatividade e interconectividade no relacionamento dos receptores com a informação, mostram como tempo e espaço modificam as relações com o receptor :
a)
interatividade ou
inter-atuação
multitemporal
representa
a possibilidade de acesso em tempo real, o que representa o tempo de acesso
no entorno de zero, pelo usuário à diferentes estoques de informação; possibilita o
acesso em múltiplas formas de interação entre o usuário e a própria estrutura da informação contida neste
espaço. A interatividade modifica o fluxo:
usuário - tempo - informação. Reposiciona
os acervos de informação, o acesso à informação e a sua distribuição. O
próprio documento de informação se torna mais acessível, pois liberara
o receptor dos diversos intermediários que
executavam funções em linha
e em tempo linear passando para um acesso online e com linguagens interativas; a interatividade e o tempo
real libertam o individuo dos seus rituais de sincronismo cotidiano: todos
executando a mesma atividade e ao mesmo tempo: ir ao banco, ir ao trabalho , ir
ao mercado, ir a aula.
O
mais interativo instrumento de comunicação é o telefone o menos interativo o
livro e o periódico. Contudo a interatividade não está diretamente
relacionada à qualidade da informação. Existem diferentes graus de
interatividade dependendo de: (a)
as
possibilidades de apropriação e personalização da mensagem recebida; (b)
a
reciprocidade das trocas estabelecida na comunicação.
b
) inteconectividade -
A interconectividade reposiciona a relação usuário - espaço -
informação; opera uma mudança estrutural no fluxo de informação
que se torna multiorientado. Quando
o tempo se aproxima de zero e a
velocidade do infinito, os espaços se desterritorializam, perdem seus limites;
a interconectividade dá ao individuo a condição de contigüidade, onde
a possibilidade de vizinhança se estende para a região do infinito e permite
ao usuário da informação ter a possibilidade de deslocar-se, no momento de
sua vontade, de um espaço de informação para outro espaço de informação.
De um estoque de informação para um outro estoque de informação. O usuário
passa a ser
o seu próprio mediador na
escolha de informação, o determinador de suas necessidades.
Passa a ser o julgador da relevância
do documento que procura e do
estoque que o contêm em tempo real, tempo igual a zero, como se estivesse
colocado virtualmente dentro do sistema de armazenamento e recuperação da
informação.
Estas mudanças operadas no status tecnológico
das atividades de armazenamento e transmissão da informação vêm trazendo
mutações contínuas, também na relação da informação, com seus usuários,
com seus intermediários, com a pesquisa e com o ensino em ciência da informação.
Destacamos como instabilidades mais
notáveis, os seguintes pontos :
a) mudanças na estrutura de informação;
b) mudanças no fluxo de informação;
c) o profissional da informação.
A
MUDANÇA NA ESTRUTURA DE INFORMAÇÃO[2]
A interação em tempo real com a estrutura da informação tem questionado o caráter alfabético e linear do documento texto. O computador permite uma liberdade de interação com o texto, livre das amarras da composição e da interpretação linear. O código lingüístico comum permanece como base das estruturas de informação, como um elemento sistemático e compulsório para uma determinada comunidade lingüística ( ou de informação) , mas a mensagem é individual , intencional e intentada. A mensagem é arbitrária e contingente, o código é anônimo e não intentado.[ii]
A estrutura da informação, como mensagem se direciona particularmente
a cada receptor incluindo em sua formação novas linguagens, como o som e a imagem. Um documento em hipertexto permite, em
casos específicos, que cada
receptor modifique a mensagem
segundo seus conceito de importância com que valoriza o documento , não sendo
mais, somente o leitor mas, atuando como se fosse mais um
autor do texto. Nas palavras
de sedutoras de Levy[iii]
com a nova superlinguagem pode estar se formando: “O alfabeto foi inventado
em uma época em que não existiam os gravadores de som. Na antiguidade e
na idade média os textos alfabéticos
eram usados como fitas magnéticas gravadas, porque o homem tinha que ler em voz
alta e ouvir o som para obter o significado”
O
FLUXO DE INFORMAÇÃO
O fluxo da informação entre os estoques ou espaços de informação e os usuários permeiam dois critérios : o da tecnologia da informação que almeja possibilitar o maior e melhor acesso a informação disponível e o critério da ciência da informação, que intervém para, também, qualificar este acesso em termos das competências para assimilação da informação, como sendo uma condição, que deve ter o receptor da informação acessada: elaborar a informação para seu uso, seu desenvolvimento pessoal e dos seus espaços de convivência. Não é suficiente unicamente, que a mensagem esteja intencionalmente intentada no acesso, mas que a mensagem atinja à geografias semânticas no receptor compatíveis com a sua compreensão e aceitação. Esta é uma diferenciação de mérito para definir os objetivos, a pesquisa e o ensino na área de ciência da informação. As duas premissas deveriam, certamente marchar em conjunto, mas a ansiedade tecnológica imprime um posicionamento diferenciado, entre as atividades ditas práticas e atividades teóricas no encaminhamento da questão.
Nas décadas iniciais, as unidades de informação trabalhavam com um fluxo de informação que era realizado por um tempo linear, mensurável e direcionado a um único espaço de informação. Hoje com a informação on-line, em tempo real, fluxos informação multidirecionados, podem ser virtuais quando o tempo se aproxima de zero, a velocidade se acerca do infinito e os espaços são de vivência pela não presença.
O FLUXO INTERNO E OS FLUXOS EXTREMOS DA INFORMAÇÃO

I = informação
K = conhecimento
Consideramos que os fluxos de informação se movem em dois níveis: em um primeiro nível aos fluxos internos de informação se movimentam entre os elementos de um sistema, que se oriente para sua organização e controle, seriam os fluxos internos ou de primeiro nível; este fluxo, já foi bastante estudado e relatado; possui uma racionalidade técnica e produtivista como premissa. Com isso indicamos que, para sucessão de eventos, existe um esboço técnico sedimentado, que já foi apropriado há mais de cinqüenta anos, mudando só por algumas adaptações ao mudar da tecnologia. A premissa racional é também produtivista, pois tem como condição de eficiência: pretende maximizar o uso dos espaços de armazenagem para minimizar custos. A estes espaços de armazenamento chamamos de estoques de informação, um elo indispensável ao processo de geração de conhecimento usando a informação estocada, mas que por si só nunca são responsáveis pela ação de conhecimento. O fluxo interno se agrega por uma premissa de razão pratica, em um campo de ação que permite decisões e um agir baseado em princípios. É o mundo do gerenciamento e controle da informação.
Os fluxos de informação de segundo nível são aqueles que acontecem nas extremidades do fluxo interno , de seleção, armazenamento e recuperação da informação.Os fluxos extremos são aqueles que por sua atuação mostram a Essência[3] do fenômeno de transformação, entre a linguagem do pensamento de um emissor à a linguagem de inscrição do autor da informação à e o conhecimento elaborado pelo receptor em sua realidade.
Assim na extremidade esquerda do fluxo interno, e agora estou falando não mais de uma premissa técnica mais da promessa , da esperança da transformação da informação gerada pelo autor para um conhecimento assimilado pelo receptor.
No outro extremo do fluxo interno se realiza um novo fenômeno de informação cuja Essência está no força da passagem de uma experiência, um fato ou uma idéia que está delineada em uma linguagem de pensamento do agente criador, para uma inscrição de informação; local onde um autor esboça sua narrativa transformada em um texto expresso em uma linguagem de edição.
O TRABALHO EM INFORMAÇÃO
“Eu só amo aqueles que sabem viver como que se extinguindo, porque são esses os que atravessam de um para o outro lado.”[iv]
As palavras citadas são uma referência de posicionamento para o trabalhar com a informação . O profissional desta área se encontra , nesta atualidade como se em um ponto no presente entre o passado e o futuro. Convive com tarefas e técnicas tradicionais de sua profissão mas precisa atravessar para uma outra realidade, onde estão indo seus clientes e aprender conviver com o novo e o inusitado, numa constante renovação da novidade.
Toda realidade se reduz a três mundos : o mundo subjetivo dos sistemas cerebrais, o mundo objetivo dos sistemas materiais e o e o mundo dos sistemas simbólicos cibernéticos e informatizados.[v] Em nossa interpretação, a realidade subjetiva dos conteúdos de informação , da sua geração e assimilação, a realidade objetiva dos seus equipamentos e seus instrumentos, e a realidade do ciberespaço[4], de tempo zero, da existência pela não presença[5], da realidade virtual.
Os que trabalham com a informação ou continuarão a operacionalizar tarefas cotidianas em uma única realidade, e ainda o farão por alguns anos, ou estão se preparando para operar nas três realidades , como uma ponte do passado do hoje para o futuro. Será um profissional vespertino se decidir não realizar a travessia.
O
OBJETO DE ESTUDO DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
Objetivos bem definidos, para uma área de estudos norteiam todo o pensamento subseqüente em sua estruturação. Orientam sua pesquisa, o seu ensino, delimitam suas fronteiras, às inter-relações com outras disciplinas e o seu núcleo temático.
Neste final de século e devido a sua interação com uma tecnologia
intensa, a ciência da informação redefine o conteúdo e a prioridade de seus
objetivos continuamente. Há cinco anos atrás seria difícil ver como um dos
objetivos da ciência da informação o estudo de bibliotecas virtuais, periódicos
científicos nascerem online, correio eletrônico. Um novo mundo de informação
se avizinha, o da realidade virtual com a tele-imersão
e que este
será um importante foco de estudo desta
área .
Assim, alguns objetivos ou são enunciados ou podem ser deduzidos .
As pesquisas apresentadas nas Reuniões Nacionais da Ancib, a associação
nacional de pesquisa e pós-graduação da área, permitem uma observação, senão
dos objetivos mas do refletir da ciência da informação:
NÚCLEOS DE PESQUISA EM CIÊNCIA
DA INFORMAÇÃO - BRASIL
|
GRUPOS
ß |
ENANCIB 1995 VALINHOS |
ENANCIB 1997 RIO |
ENANCIB
20000 BRASÍLIA |
|
Informação
e Contexto |
38 % |
27 % |
17 % |
|
Organização informação: |
31 % |
24 % |
36 % |
|
Informação
Tecnológica |
20 % |
22 % |
23 % |
|
Novas
tecnologias de informação / Comunicação |
11 |
6 % |
19 % |
|
Aspectos
Teóricos da Ciência da Informação |
- |
3 % |
5 % |
|
Outros |
|
8 % |
- |
|
Nº
DE TRABALHOS |
56 |
134 |
250 |
Organização da informação
= indexação, classificação e processamento,
comunicação científica, recursos humanos,
instrumentos e metodologias;
Informação Tecnológica = informação
para a industria e para empresa e negócios
e
inteligência competitiva
Informação e Contexto=
praticam de informação em diferentes espaços, informação e sociedade,
informação e cidadania, ação cultural;
Novas Tecnologias + estudos e pesquisas privilegiando o foco
nas novas tecnologias
de
informação e comunicação.
Fonte: Anais das Reunião da ENANCIB
Fica muito claro que estamos pesquisando no núcleo da área, isto é em organização
da informação e suas técnicas e metodologias. Poderia ser um bom sinal;
mas para uma área altamente envolvida em tecnologia da informação pode
representar uma abstenção voluntária promovida por um desconhecimento
involuntário destas tecnologias e do papel que desempenham para o campo. Outro
foco de pesquisa é informação e contexto uma descrição das aplicações,
das praticas ou ambientações da informação para diferentes áreas do
conhecimento. A pesquisa em informação tecnológica é uma
contextualização da informação volume de pesquisas e particularizada pela
importância do setor industrial/comercial, mas é também, uma área
potencialmente cobiçosa, de
recursos do fomento à pesquisa para pesquisas aplicadas.
Na verdade indicamos com a tabela o olhar dos pesquisadores da área para
seus núcleos de importância. Contudo, é difícil aceitar o número de estudos
apresentados na Reunião de Brasília, como sendo um indicador do número de
pesquisas existentes na área. A Ciência da Informação clama por definições:
do conceito de informação, do seu objeto e do que seria pesquisa em seu campo
de atuação. Contribuímos aqui,
com nosso conceito de informação e pesquisa.
Entendemos por definição informação como sendo: estruturas simbolicamente significantes com a competência de gerar conhecimento para o indivíduo e para o seu meio.
Entendemos
ainda que uma pesquisa é um processo orientado para expandir as fronteiras do
conhecimento; representa uma investigação ordenada e original que é coerente
com uma linha de pensamento conceitual e teórica; segue em sua intenção de
mostrar evidências um método racional de ação e experimentação e tem sempre
a intenção de descobrir novas informações ou desenvolver novos processos de
transformação para produtos e serviços de informação.
Uma pesquisa possui assim os ingredientes básicos:
tem intenção de produzir novo conhecimento
é uma investigação ordenada, racional e original
tem uma base conceitual evidente, claramente explicada
·
possui um caminho claro, preciso e racional para atingir sua meta
· Uma pesquisa, em uma área interdisciplinar, não pode simplesmente transpor teorias e conceitos emprestados da outra área de conhecimento para área de ciência da informação. Esta transmutação de idéias, métodos, do pensar em si tem que respeitar as características existentes e manifestas da área de ciência da informação, do objeto informação em si, com toda as suas condições, características e singularidades. Assim, toda uma argumentação deve ser construída para, mostrar as qualidades e a viabilidade desta transferência de teorias, conceitos e metodologias que, precisa estar clara e convincente; deve estar detalhadamente explicito e explicado como este pensar ou esta metodologia “estrangeira” se insere no mundo da ciência da informação.
Consideramos, assim. que a construir de uma base de dados,
estabelecer uma metodologia ou produzir um produto de informação, não seria
uma pesquisa mas poderia aparecer como sub-produto ou insumo de uma pesquisa.
Definimos o objeto da ciência
da informação como sendo :
a ciência da informação se preocupa com os princípios e as práticas da criação, organização e distribuição da informação. Assim como, com o estudo dos fluxos da informação desde sua criação até a sua utilização, e a sua transmissão ao receptor em uma variedade de formas, através de uma variedade de canais.
Na verdade não acredito que seja possível enunciar objetivos ou
disciplinas com permanência definitiva,
para uma estruturação adequada na área de ciência da informação.
Esta é uma área de estudo especial, pois tem um forte aspecto operacional e
muitas vezes, conceitualmente dependente de uma tecnologia intensa , com
elevado teor de inovação e em contínua mutação.
Muitos de seus objetivos são também,
tecnologicamente dependentes e
em alguns momentos se modificam ou
se redefinem , envelhecem , são substituídos.
As medidas de recuperação e precisão, por exemplo, da maneira como foram enunciadas no final da década de 60, para avaliar, o armazenamento e a recuperação de conjuntos de documentos e diferentes linguagens de indexação, não existem mais. Estas medidas foram operacionalizadas em sistemas de tempo linear e espacialmente unidirecionados, foram um importante objetivo, técnica e conceitualmente, em sua época. Hoje não fazem qualquer sentido, envelheceram foram redefinidos por outros modelos tecnológicos, outros direcionamentos que a área teve que seguir. São uma importante parte da historia da ciência da informação, nada mais.
Os objetivos da ciência da informação se inscrevem em realidades diferenciadas. Como indicamos anteriormente toda a realidade se reduz a três mundos (7): o mundo subjetivo dos sistemas cerebrais, o mundo objetivo dos sistemas materiais, e o mundo cibernético. Em nossa interpretação, o mundo subjetivo dos conteúdos de informação, da sua geração e assimilação, o mundo objetivo dos aparatos, equipamentos e instrumentos com que opera a ciência da informação, e o mundo do ciberespaço, da velocidade igual ao infinito, do tempo e espaço zero. Como na figura 1 :
FIGURA 1

|
MUNDOS
DA INFORMAÇÃO |
EXEMPLOS
|
|
A-realidades subjetivas |
espaço das construções teóricas, dos conteúdos, dos processos de geração , interpretação e apropriação da informação. |
|
B-realidade dos objetos |
espaço dos artefatos dos sistemas matérias, do computador da telecomunicação. |
|
C-realidade do ciberespaço |
o espaço dos símbolos cibernéticos, da interação ente os indivíduos e as máquinas. |
|
espaço de A com B |
espaço das tecnologias de informação e comunicação, dos estoques de conteúdos, e das redes. |
|
espaço de A com C |
espaço das construções dos agentes inteligentes para interação do homem com a maquina, os softwares. |
|
espaço de B com C |
espaços dos processos de telecomunicação e das redes interativas. |
|
espaço N de reunião de A,B,C |
espaço das atividades de interatividade da interconectividade, , a inteligência artificial , da realidade virtual, e dos novos desenvolvimentos. |
Creio que, os objetivos e a abrangência da ciência da informação pertencem a estes diferentes mundos e às suas interações. Estes objetivos se modificam de acordo com o deslocamento de apenas um dos mundos que citamos e da velocidade com que mudam às realidades que definem cada um destes mundos. A importância relativa, da ciência da informação, dentro de determinado tempo, estará indicada pela prioridade que os seus atores deste campo colocam na sua percepção de valor, das intercessões e dos espaços delineados pelos três mundos da informação.
É na articulação destes espaços mundos, em suas prioridades,
que estão localizadas: a pesquisa o
ensino e a atuação profissional
na ciência da informação.
NOTAS
E BIBLIOGRAFIA CITADA
[1] ANCIB - Associação Nacional de Pesquisa e Pós Graduação em Ciência da Informação
[2] Por estrutura de informação entendemos ser a disposição, a forma de organização que assumem as inscrições de informação.
[3] Essência - ação com vigor de propósitos; a estrutura onde o fenômeno desenvolve a força de seu vigor. Escreve-se o E em maiúscula para diferenciar de essência ,com natureza.
[4]
Ciberespaço
- espaço dos sistemas naturais e artificiais harmonizados pela
comunicação da informação. A região conjunta de encontro de humanos e
do computador, onde seus espaços coincidem.
[5] Presença - o estar, o ser em um dado momento de uma coisa ou pessoa em um lugar determinado.
[i]
Bush, Vanevar- Atlantic Montly,
n. 1, July 1945,
pp.101-108.
[ii]
Ricoeur, P. - Teoria da Interpretação,
Edições 70, Lisboa, 1976, 109
pp
[iii]
Levy, P. – Towards a
Superlanguage , (sem data) , disponível em www.uiah.fr/bookshop/isea_proc/nextgen/01.html
[12.12.97] , traduzido por este autor.
[iv]
Nietzsche, F. - Assim Falava
Zaratustra , Editora Tecnoprint S.A, Rio de Janeiro, [sem data],
primeira parte, Preâmbulos, negritos deste autor.
[v]
Carneiro Leão, E. - Desafios da
Informatização em A Máquina
e Seu Avesso, Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1987, 143 pp
6
Ong, W. J., Orality
and Literacy: The Thechnologizing of the Word,
Terence Hawkes, New York, 1988
7 Arendt, H , A
Vida do Espírito- O pensar, o querer, o julgar , Relume-Dumara, Rio,1991
8
Barthes, R, A
morte do autor
, em O Rumor da Língua, Edições 70, Lisboa, 1987
9 Bloor, D , Poppers Mystyfication of Objective Knowledge, Science Studies
4, pp 65-76, 1974
10 Boulding, K , Knowledge and Life in the Socity, University of Michigan
Pres, USA, 1960
11 Bourdieu, P ,
O Poder Simbólico,
Bertrand, Rio,1989
12 Butcher, H J , A
inteligência Humana, Perspectiva, Sào Paulo, 1968
13
Farradane, J , Relational Indexing and Classification in the Light of
Recent Experimental work in Psychology,
Information Storage and Retrieval, vol 1, pp 3-11, 1963
14 -Farradane, J, Knowlwdge, Information and information Science, Journal of Information Science,v2,n2,1980
15 Farradane, J, The Nature of Information,
Journal of Information Science, v 1, n 3, 1979
16 Franck, S e Mehler, J (ed.), Cognition on Cognition, MIT Press, USA,1994
17 Gardner, H ,The Minds New Science : A history of the cognitive revolution, Basic Books, USA, 1987